3 de novembro de 2006

Da liberdade


O problema do blog tem sido, ou sempre foi, o da liberdade de expressão. Como é que se pode dizer o que se pensa, como é que se pode formular uma opinião, sem que essa opinião acabe por ferir a susceptibilidade de um dos nossos leitores, que é também um dos nossos amigos, um dos nossos conhecidos?
Um blog que agrade a gregos e a troianos, que seja politicamente correcto, que não incentive o debate, a argumentatividade é um blog? Ou uma grande chatice?
Um blog politicamente correcto, mas incorrecto, transfigura todos os elementos do real? Não chama as pessoas pelos nomes, inventa-lhes pseudónimos? Transforma os lugares em outros lugares? Direi: no feriado fui passear com V., D., e S. à serra, mas a serra deixa de ser a S. Mamede e passa a ser a da Arrábida? V., D., e S. deixam de ser Vanda, Daniel e Sebastião?
Não sei escrever para além daquilo que me rodeia, das personagens-tempos-lugares que são os meus. Neste cenário: qual a minha liberdade como escritora para que ninguém se sinta ofendido, em momentos, pelas minhas palavras? E isso é importante? É mais importante não importunar ou expressar o que considero relevante nos meus termos? É isso um sinal de egoísmo? Terei de ser uma repórter apenas compremetida com a verdade dos factos e esquecer-me partidária da ideia X ou Y?

2 comentários:

Tiago Sousa disse...

Arranja um diário. Para não parecer tão lamechas, imagina-os como crónicas privadas, já soa melhor :P Com essa base, talvez depois seja mais fácil filtrar os elementos mais sensíveis dos textos e produzir novos para consumo público (se ainda existir essa necessidade).

Filomena disse...

A opinião é opinião se atirada para os confins do silêncio? Não me parece.
Também não me parece que tenha de fazer rascunhos daquilo que tenho a dizer, quero dizer ou potencialmente direi: até porque já escrevi diários. E atirei-os fora. Os diários explicam-nos a nós próprios por dentro - e, sinceramente, já estou mais que resolvida para ainda me andar a explicar a mim mesma.